domingo, 4 de agosto de 2013

Jardim dos Prazeres (1925)

The Pleasure Garden
Direção: Alfred Hitchcock
Elenco: Virgina Valli, Carmelita Geraghty, Miles Mander, John Stuart
Escrito por: Eliot Stannard, baseado em livro de Oliver Sandys 
Inglaterra, 1925
Nota no IMdB: 6,0




Para chegar aos filmes que o marcaram como mestre do suspense, o diretor inglês Alfred Hitchcock traçou um caminho pouco conhecido. Seu primeiro filme, "Jardim dos Prazeres" (1925), traz um quadrado amoroso com toques de comédia em uma narrativa que deixa de ser arrastada, por acaso, quando ganha em conflito e suspense.  

A estreia de Hitchcock no cinema abriu a mostra dedicada aos 54 filmes do diretor na noite de quarta-feira (31) em Belo Horizonte. E o público que lotou o Palácio das Artes compartilhou uma experiência rara: a execução da trilha sonora ao vivo durante o filme mudo.   

Coube à Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, com regência do maestro Marcelo Ramos, a tarefa de preencher as cenas por 75 minutos com a trilha composta pelo britânico Daniel Patrick Cohen. Ele compôs a trilha em 2012 e esteve presente na abertura em BH.   





Na plateia, a surpresa era visível. Tinha gente com medo de se entregar ao naipe de cordas, metais e percussão e perder momentaneamente o que era exibido. Tinha gente impressionada com a exuberância daquilo enquanto se dava conta de que assim eram os primórdios do cinema. E ninguém conteve os aplausos ao final.   

Intencionalmente, a trilha não seguia marcações sincronizadas nas cenas, mas seguia o clima do que era exibido, deixando a história fluir. A execução impecável dos músicos dava a impressão de que o som saía de dentro do filme - sensação só quebrada pelo bumbo da bateria, que lembrava aos ouvidos que tudo ali era, sim, ao vivo.   

"Jardim dos Prazeres" recebeu um belo trabalho de digitalização do British Film Institute, que deixou as cenas sem ruídos, mas precisou alterar o esquema de cores durante o filme - há partes em sépia e outras em tons de azul.A mostra "Hitchcock é o Cinema", que marca a reabertura do Cine Humberto Mauro, tem sessões, debates e cursos gratuitos até o dia 5 de setembro. 



domingo, 7 de julho de 2013

Argo (2012)

Argo
Direção: Ben Affleck
Elenco: Ben Affleck, Brian Cranston, Alan Arkin, John Goodman, Clea Du Vall
Escrito por: Chris Terrio, baseado em artigos de Tony Mendez e Joshuah Bearman
EUA, 2012
Nota no IMdB: 7,9




Essa é a história do resgate de funcionários da embaixada dos EUA no Irã que se esconderam na casa do embaixador do Canadá após a invasão de insurgentes que fizeram 60 reféns. Sob supervisão de um agente secreto da CIA, se passam por produtores de cinema em busca de locações no deserto e conseguem burlar governo e exército por Teerã, inclusive no aeroporto, em 1980, dois anos depois da revolução. Surreal. 


Surreal e verdadeiro, segundo o depoimento do agente secreto cuja experiência inspirou Ben Affleck a dirigir e a  protagonizar esta história - Tony Mendez. Verdade também que os seis resgatados foram representados com grande semelhança física nas telas. E que, à parte alterações para não prejudicar o enredo, eles viveram o que foi retratado. Outro acerto de Affleck: a reprodução de cenas com rigor jornalístico. Um filme de espionagem no ritmo certo. 



Vale o Oscar de melhor filme ganho em 2013? Não. Mas o contexto político americano, envolto em novas disputas com o Irã, faz o prêmio ter sentido - ainda mais com Michelle Obama abrindo o envelope na noite de entrega do Oscar. Constrangedor até. Argo levou em outras duas categorias, -roteiro adaptado e edição.



A imprensa iraniana bateu muito no filme, por considerá-lo uma distorção da história e fazer propaganda contra o país. Até porque a crise dos reféns da embaixada- que foram libertados depois 444 dias, foi o estouro de uma situação financiada pelos EUA desde os anos 1950, por conta do apoio ao xá Reza Pahlevi, ditador que empurrou a influência ocidental para a cultura islâmica. 





sábado, 13 de abril de 2013

A Busca (2013)


A Busca
Direção: Luciano Moura
Elenco: Wagner Moura, Mariana Lima, Brás Antunes, Lima Duarte
Escrito por:Luciano Moura, Elena Soarez
Brasil, 2013
Nota no IMdB: 6,5



Pedro (Brás Antunes) tinha 15 anos quando preparou uma fuga de casa durante uma das infinitas brigas dos pais, Theo (Wagner Moura) e Branca (Mariana Lima). A falta de entendimento em casa, que ele também não vai cobrar, norteia suas escolhas por uma afinidade distante. 



O desespero do pai em sua busca, que pavimenta a história, dá boa medida de como acertar em um drama sem conflitos fora do lugar ou exageros sentimentais. Estética e narrativamente, a busca é também a descoberta de um homem ao seguir rastros do jovem pelo interior. 



O reconhecimento da individualidade e da noção de família e afeto nesta espécie de road-movie semi-urbano  bem realizado envolve premissas a princípio estranhas, mas bem tramadas e que dão uma noção de originalidade ao filme. Como reunir balsas, cavalos, travessias, lavouras, partos, borracharias, croquis e festivais hippies em uma única direção. 



sábado, 16 de fevereiro de 2013

A Hora Mais Escura (2012)

Zero Dark Thirty
Direção: Kathryn Bigelow
Elenco: Jessica Chastain, Jason Clarke, Kyle Chandler, Joe Edgerton, Chris Pratt
Escrito por: Mark Boal
EUA, 2012 
Nota no IMdB: 7.6




"A Hora Mais Escura" é a segunda visão da diretora Kathryn Bigelow sobre o terrorismo pós-11 de dezembro. Há dois anos, foi a primeira mulher a ganhar o Oscar de direção por "Guerra ao Terror", sobre a invasão ao Iraque. Com todas as credenciais possíveis, dessa vez, tratou da caçada a Osama Bin Laden, morto em 2011 em uma fortaleza em Abbotabad, no Paquistão. 



Acusado de defender a tortura durante interrogatórios de prisioneiros para obter informações sobre a Al Qaeda, "A Hora Mais Escura" se presta justamente ao contrário. Trata métodos de tortura como artifícios comuns à polícia secreta americana, a despeito do discurso de "liberdade" propagandeado pelos EUA. O que fica evidente na falta de conflitos morais dos agentes por violentarem presos e até reclamações quando os métodos são proibidos após pressões de parlamentares. A presença do exército americano até hoje no Oriente Médio prova como os métodos repugnantes não resolveram a questão. E surge a dúvida: o assassinato de outro povo é justificável? 



Com enredo sóbrio e sem recursos pirotécnicos que dão "glamour" a filmes de guerra, "A Hora Mais Escura" tem como protagonista a agente da CIA responsável por "caçar" Bin Laden durante dez anos. O cruzamento de informações, pistas falsas e a obsessão colocam Maya (Jessica Chastain) acima do próprio presidente Obama nas ações que levaram à morte do terrorista. Uma mulher que desafia os chefes na CIA para seguir instintos e chegar ao homem mais procurado do mundo - um papel incomum no imaginário dos serviços secretos e mesmo em filmes de guerra. Ainda mais quando se pensa que a mulher que inspirou a personagem ainda atua na agência e teve o perfil de durona e obsessiva confirmado por soldados que participaram da missão real. 



Se a captura de Osama realmente aconteceu da forma como foi filmada, representou uma sucessão de eventos quase inacreditáveis. O terrorista mais procurado do mundo ficaria recluso em uma mansão, perto de um centro comercial, por muito tempo; nem tentou oferecer resistência nem tinha meios para tentar fugir; se a fortaleza era à prova de investigação, também deveria ser um labirinto para possibilitar fugas.



A CIA fornecer informações privilegiadas à cineasta e ao roteirista Mark Boal torna o peso político de "A Hora Mais Escura" ainda maior, dada a importância que recebeu como instrumento de propaganda pelo governo americano. Justamente por isso, as críticas que recebeu de parlamentares e do Pentágono praticamente tiraram suas chances de ser o grande favorito do Oscar 2013 - concorre em cinco categorias.




Apesar de abordar uma história amplamente conhecida, o filme se sustenta em 157 minutos sem cair em clichês. Bem diferente do arrastado e previsível Lincoln, de Steven Spielberg, que por razões não-estéticas pode levar estatuetas que cairiam melhor nas mãos de Bigelow. 


                                 

domingo, 20 de janeiro de 2013

No (2012)

No
Direção: Pablo Larraín
Elenco: Gael Garcia Bernal, Alfredo Castro, Antonia Zegers 
Escrito por: Pedro Peirano, baseado em peça de Antonio Skármeta
Chile, 2012
Nota no IMdB: 7.8








quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Ted (2012)

 Ted
Direção: Seth McFarlane
Elenco: Mila Kunis, MArk Wahlberg, Seth McFarlane
Escrito por: Seth McFarlane, Alec Sulkin e Wellesley Wild
EUA, 2012
Nota no IMdB: 7.6




Ted é apenas um urso falante de uma obra de ficção. Mas causou a maior polêmica na última semana, quando o deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB/SP) tentou elevar a classificação indicativa do filme para 18 anos e até mesmo proibir sua exibição no Brasil.




É que, desavisado, o parlamentar levou o filho de 11 anos para ver o filme, recomendado para maiores de 16. E se chocou com cenas que mostram o ursinho falando palavrão, bebendo cerveja e fumando maconha.


 
O assunto repercutiu após Protógenes reclamar no Twitter, e virou um dos trending topics da rede social durante a semana. Motivo de piada, o deputado desistiu de tentar proibir o filme, foi criticado por especialistas e críticos de cinema e provocou até uma manifestação do Ministério da Justiça sobre o assunto.



O certo é que o quer era para ser apenas uma comédia nos cinemas se tornou um dos hits do momento. A polêmica só contribuiu para encher as salas e prolongar a exibição do filme, em cartaz também em BH.




 
Ted (2012) foi escrito e dirigido por Seth McFarlane. Conta a história de John (Mark Wahlberg), um garoto sem amigos que deseja, em uma noite de Natal, que o ursinho ganhe vida. O desejo se realiza e eles crescem juntos. Aos 35 anos, John não consegue largar o brinquedo, que se transformou em um “vida mansa” desbocado e usuário de drogas. Uma comédia nonsense com bons recursos narrativos e referências a ícones dos anos 80, como Flash Gordon, e participação especial da cantora Norah Jones.



 
Uma pedida divertida nos cinemas de BH, proibida apenas para menores de 16 anos e deputados pretensamente politicamente corretos. Em cartaz nos shoppings Boulevard, BH, Diamond, Itaú Power, Minas, Pátio Savassi, Cidade e Del Rey.


quarta-feira, 4 de julho de 2012

Para Roma, com Amor (2012)

To Rome with Love
Direção: Woody Allen
Elenco: Roberto Benigni, Jesse Eisenberg, Penélope Cruz, Elen Page, Woody Allen
Escrito por: Woody Allen
EUA, 2012
Nota no IMdB: 6.3






Woody Allen presta homenagem à capital italiana a partir do título de seu novo filme, "Para Roma com Amor". E o que no princípio se apresenta como sobreposição de clichês de um turista com um tour pela cidade se revela uma história inesperadamente ousada e inspirada. Na verdade, quatro histórias.





A opção por quatro enredos distintos que não se tocam não confunde. Assim como o viajante que não consegue conhecer a fundo uma cidade em pouco tempo, cada uma permanece na superfície dos conflitos, sem prejuízos para o filme. 




Há espaço para o próprio Allen se reinventar como o eterno-personagem-neurótico; desta vez, como o sogro aposentado que vai a Roma conhecer a família do genro e se surpreende com o sogro da filha, um agente funerário com talento para a  ópera. Em outra frente, um casal do interior vive uma comédia de erros digna da Cinecittà ao se envolver com uma prostituta (Penélope Cruz) e um ator de cinema.




O terceiro enredo coloca um casal à mercê da amiga 'fatal', o que seria previsível até demais, não fosse o apuro de Allen ao escalar Alec Baldwin no papel nonsense que funciona como um subconsciente dos envolvidos. De quebra, sobram críticas a posturas de pseudo-intelectuais (como já havia em "Meia Noite em Paris"). Na quarta história, Roberto Benini vive um modesto funcionário que vê a vida transformada, sem razão, pelos holofotes dos paparazzi. 





As críticas incrivelmente bem humoradas à arte contemporânea (nas cenas no chuveiro), ao absurdo da fama instantânea e despropositada e às estratégias pseudo-intelectuais são trunfos de um Allen que, como é dito por sua mulher, "não possui ego, superego e id, mas três id´s". Se em "Meia Noite em Paris" o diretor presta tributo à literatura da Belle Epóque, desta vez as lembranças se dirigem à opera e ao cinema italianos. Um justo agradecimento aos países que inspiraram Woody Allen a renovar sua carreira. Junto do 'inglês' "Matchpoint", e da saga em Paris, "Para Roma com Amor" é sua ideia mais fértil em solo europeu.