quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Oscar 2012: indicados

Filme
O Artista - Thomas Langmann
Os Descendentes - Jim Burke, Alexander Payne e Jim Taylor
Tão Forte e Tão Perto - Scott Rudin
Histórias Cruzadas - Brunson Green, Chris Columbus e Michael Barnathan
A Invenção de Hugo Cabret - Graham King e Martin Scorsese
Meia-Noite em Paris - Letty Aronson e Stephen Tenenbaum
O Homem que Mudou o Jogo - Michael De Luca, Rachael Horovitz e Brad Pitt
A Árvore da Vida 
Cavalo de Guerra - Steven Spielberg e Kathleen Kennedy

Diretor

Ator
Demián Bichir por A Better Life
Gary Oldman por O Espião que Sabia Demais
George Clooney por Os Descendentes
Jean Dujardin por O Artista
Brad Pitt por O Homem que Mudou o Jogo

Atriz
Viola Davis por Histórias Cruzadas
Glenn Close por Albert Nobbs
Rooney Mara por Millenium - Os Homens que não Amavam as Mulheres
Meryl Streep por A Dama de Ferro
Michelle Williams por Sete Dias com Marilyn 

Ator Coadjuvante
Max Von Sydow por Tão Forte e Tão Perto
Christopher Plummer por Beginners
Kenneth Branagh por Sete Dias com Marilyn
Nick Nolte por Guerreiro
Jonah Hill por O Homem que Mudou o Jogo

Atriz Coadjuvante
Berenice Bejo por O Artista
Jessica Chastain por Histórias Cruzadas
Melissa McCarthy por Missão Madrinha de Casamento
Janet McTeer por Albert Nobbs
Octavia Spencer por Histórias Cruzadas

Roteiro Adaptado
Os Descendentes - Alexander Payne and Nat Faxon & Jim Rash
A Invenção de Hugo Cabret - John Logan
Tudo Pelo Poder - George Clooney & Grant Heslov e Beau Willimon
O Homem que Mudou o Jogo - Steven Zaillian e Aaron Sorkin, história de Stan Chervin
O Espião que Sabia Demais - BridgetO'Connor & Peter Straughan

Roteiro Original
O Artista - Michel Hazanavicius
Missão Madrinha de Casamento - Annie Mumolo & Kristen Wiig
Margin Call: O Dia Antes do Fim - J.C. Chandor
Meia-Noite em Paris - WoodyAllen
A Separação - Asghar Farhadi

Animação
Um Gato em Paris - Alain Gagnol e Jean-Loup Felicioli
Chico & Rita - Fernando Trueba e Javier Mariscal
Kung Fu Panda 2 - Jennifer Yuh Nelson
Gato de Botas - Chris Miller
Rango - Gore Verbinski

Filme Estrangeiro
Bullhead (Bélgica) - Michael R. Roskam
Monsieur Lazhar (Canadá) - Philippe Falardeau
A Separação (Irã) - Asghar Farhadi
Footnote (Israel) - Joseph Cedar
In Darkness (Polônia) - Agnieszka Holland

Fotografia
O Artista - Guillaume Schiffman
Millenium - Os Homens que não Amavam as Mulheres - Jeff Cronenweth
A Invenção de Hugo Cabret - Robert Richardson
A Árvore da Vida - Emmanuel Lubezki
Cavalo de Guerra - Janusz Kaminski

Direção de Arte
O Artista - Laurence Bennett (Design de Produção) e Robert Gould (Decoração de Set)
Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 - Stuart Craig (Design de Produção) e Stephenie McMillan (Decoração de Set)
A Invenção de Hugo Cabret - Dante Ferretti (Design de Produção) e Francesca Lo Schiavo (Decoração de Set)
Cavalo de Guerra - Rick Carter (Design de Produção) e Lee Sandales (Decoração de Set)
Meia Noite em Paris -Anne Seibel (Design de Produção) e Hélène Dubreuil (Decoração de Set)

Figurino
Anônimo - Lisy Christl
O Artista - Mark Bridges
A Invenção de Hugo Cabret - Sandy Powell
Jane Eyre - Michael O'Connor
W.E. - Arianne Phillips

Documentário
Hell and Back Again - Danfung Dennis e Mike Lerner
If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front - Marshall Curry e Sam Cullman
Paradise Lost 3: Purgatory - Joe Berlinger e Bruce Sinofsky
Pina - Wim Wenders e Gian-Piero Ringel
Undefeated - TJ Martin, Dan Lindsay e Richard Middlemas

Curta Documentário
The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement - Robin Fryday e Gail Dolgin
God is the Bigger Elvis - Rebecca Cammisa e Julie Anderson
Incident in New Baghdad - James Spione
Saving Face - Daniel Junge e Sharmeen Obaid-Chinoy
The Tsunami and the Cherry Blossom - Lucy Walker e Kira Carstensen

Montagem
O Artista - Anne-Sophie Bion e Michel Hazanavicius
Os Descendentes - Kevin Tent
Millenium - Os Homens que não Amavam as Mulheres - Kirk Baxter and Angus Wall
A Invenção de Hugo Cabret - Thelma Schoonmaker
O Homem que Mudou o Jogo - Christopher Tellefsen

Maquiagem
Albert Nobbs - Martial Corneville, Lynn Johnston e Matthew W. Mungle
Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 - Nick Dudman, Amanda Knight e Lisa Tomblin
A Dama de Ferro - Mark Coulier e J. Roy Helland

Música - Trilha Sonora Original
As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne - John Williams
O Artista - Ludovic Bource
A Invenção de Hugo Cabret - Howard Shore
O Espião que Sabia Demais - Alberto Iglesias
Cavalo de Guerra - John Williams

Música - Canção Original

Curta metragem de Animação
Dimanche/Sunday - Patrick Doyon
The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore - William Joyce e Brandon Oldenburg
La Luna - Enrico Casarosa
A Morning Stroll - Grant Orchard e Sue Goffe
Wild Life - Amanda Forbis e Wendy Tilby

Curta metragem
Pentecost - Peter McDonald e Eimear O'Kane
Raju - Max Zähle e Stefan Gieren
The Shore - Terry George e Oorlagh George
Time Freak - Andrew Bowler e Gigi Causey
Tuba Atlantic - Hallvar Witzø

Montagem de Som
Drive - Lon Bender e Victor Ray Ennis
Millenium - Os Homens que não Amavam as Mulheres - Ren Klyce
A Invenção de Hugo Cabret - Philip Stockton e Eugene Gearty
Transformers: O Lado Oculto da Lua - Ethan Van der Ryn e Erik Aadahl
Cavalo de Guerra - Richard Hymns e Gary Rydstrom

Mixagem de Som
Millenium - Os Homens que não Amavam as Mulheres - David Parker, Michael Semanick, Ren Klyce e Bo Persson
A Invenção de Hugo Cabret - Tom Fleischman e John Midgley
O Homem que Mudou o Jogo - Deb Adair, Ron Bochar, Dave Giammarco e Ed Novick
Transformers: O Lado Oculto da Lua - Greg P. Russell, Gary Summers, Jeffrey J. Haboush e Peter J. Devlin
Cavalo de Guerra - Gary Rydstrom, Andy Nelson, Tom Johnson e Stuart Wilson

Efeitos Visuais
Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 - Tim Burke, David Vickery, Greg Butler e John Richardson
A Invenção de Hugo Cabret - Rob Legato, Joss Williams, Ben Grossman e Alex Henning
Gigantes de Aço - Erik Nash, John Rosengrant, Dan Taylor e Swen Gillberg
Planeta dos Macacos: A Origem - Joe Letteri, Dan Lemmon, R. Christopher White e Daniel Barrett
Transformers: O Lado Oculto da Lua - Dan Glass, Brad Friedman, Douglas Trumbull e Michael Fink

Globo de Ouro 2012: vencedores

"O artista", com três prêmios (melhor comédia, melhor ator de comédia - Juan Dujardin - e trilha sonora) e "Os descendentes" (melhor drama e melhor ator de drama - George Clooney) foram os destaques do Globo de Ouro 2012 e largam como favoritos ao Oscar.





Lista completa dos premiados nas categorias de cinema ( O Globo de Ouro também contempla os melhores da televisão)


Melhor Filme - Drama
"Os Descendentes"


Melhor Filme - Comédia ou musical
"The Artist"


Melhor Filme - Animação
"As aventuras de Tintim"


Melhor Fime em língua estrangeira
"Separação" - Irã


Melhor Diretor
Martin Scorsese, por "A invenção de Hugo Cabret"


Melhor Roteiro
Woody Allen, por "Meia noite em Paris"


Melhor Ator - drama
George Clooney, por "Os descendentes"


Melhor Atriz
Merryl Streep, por "A dama de ferro"


Melhor Ator - Comédia ou musical
Jean Dujardin, por "O Artista"


Melhor atriz - Comédia ou musical
Michelle Williams, por "Sete dias com Marilyn"


Melhor Ator Coadjuvante
Christopher Plummer, por "Toda forma de amor"


Melhor Atriz Coadjuvante
"Octavia Spencer, por "Histórias cruzadas"


Melhor trilha sonora original
Ludovic Bource, por "O artista"


Melhor canção original
"Masterpiece de W.E.", de Madonna, Julie Frost e Jimmy Harry



quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O espião que sabia demais (2011)

O espião que sabia demais (Tinker Taylor Soldier Spy)
Direção: Thomas Alfredson
Elenco: Gary Oldman, Colin Firth, John Hurt, Tom Hardy, Mark Strong, Jim Prideaux
Escrito por: Bridget O´Connor e Peter Straughan
Inglaterra, 2011
Nota no IMdB: 7,5






A espionagem inglesa durante a Guerra Fria é o norte de "O espião que sabia demais", filme baseado no romance de John le Carré (Jardineiro Fiel, o livro, também foi escrito por ele). O agente Strong (Jim Prideaux) é enviado à Hungria para encontrar um informante, não completa a missão e, como consequência, os chefes do MI6 Smiley (Oldman) e Control (Hurt)  são aposentados pelo serviço secreto. Uma trama de intrigas envolve a cúpula da organização, e Smiley deixa a aposentadoria para investigar as traições que comprometem o funcionamento da rede. 




A sinopse, entretanto, não é facilmente percebida na tela, uma vez que as escolhas de Alfredson evitam clichês associados a filmes de espionagem. Com um ambiente por vezes noir e roteiro fragmentado, "O espião que sabia demais" deixa a impressão de que poderia ter sido melhor compreendido. Ou explicado. 




Planos longos e sem diálogos podem ser a deixa para o espectador refletir sobre o que se passa na tela. E também conectar os fatos, já que "O espião que sabia demais" abusa de uma narrativa sem conectivos. Por vários minutos, parece um filme montado com cortes do passado sobrepostos. Mas a narrativa linear é fragmentada e dá a oportunidade para elencar os fatos. A costura dos fragmentos, no entanto, é confusa, dando a impressão de que a história é ininteligível. 




Neste triller sobre espionagem, as cenas de ação e os efeitos especiais não têm vez. A agilidade dos cortes também não, o que pode confundir e desagradar quem espere altas voltagens em cena. O paradoxo é que o ritmo de "O espião que sabia demais" se assemelha ao de uma apuração longa, sem os cortes para as cenas mais chocantes ou de ação. Tudo é exibido ao seu tempo, como na espera demorada para se agir no momento exato.



Os personagens transpiram cansaço e resignação, efeitos de uma vida treinada para o serviço secreto e para o sigilo absoluto. Por isso, nada falam além do necessário. Boa parte adentra a velhice, e o comportamento refratário (não existe a vida privada destas pessoas) conota algo além da repetição de antigos costumes. 




Uma segunda exibição ou a leitura de diferentes pontos de vista sobre o filme fatalmente ajudam a compreendê-lo melhor. Após a primeira sessão, sem saber ao certo do que se trata, quem assiste pode confundir a sequência e a lógica deste thriler, que é exibido em circuito comercial e toma algumas salas de shoppings. Um claro exemplo de cinema que não combina com pipoca - se bem que, em minha modesta opinião, nenhum cinema combina, mas isso é conversa para outra hora. 




Não existe alta ou baixa cultura, nem simplesmente a negação da 'grande arte' pelo 'entretenimento industrial'. As redes de significados carregam diferentes conceitos e interpretações, e o pré-conceito prejudica tanto quem se julga por cima quanto quem é atribuído como inferior. Por isso, não excluo o potencial criativo de uma obra considerada 'menor', assim como procuro não superestimar um trabalho pela dificuldade de seu seu entendimento. 



domingo, 8 de janeiro de 2012

As aventuras de Agamenon, o repórter (2011)

As aventuras de Agamenon, o repórter
Direção: Victor Lopes
Elenco: Hubert, Luana Piovanni, Marcelo Adnet, Pedro Bial, Rui Castro
Escrito por: Hubert, Marcelo Madureira
Brasil, 2011
Nota no IMdB: (não cadastrado)



Você já saiu do cinema com a impressão de que acabou de assistir a um dos piores filmes da vida? Este é "As aventuras de Agamenon, o repórter", nova 'comédia' da Globo Filmes que se apresenta como um documentário sobre o jornalista fictício Agamenon Pereira Mendes. Criação de Hubert e Marcelo Madureira, do Casseta e Planeta, Agamenon realmente assinou uma coluna no jornal O Globo por mais de 20 anos. 



O filme chega a parecer trabalho de artes de escola primária. Os alunos fazem colagens de personagens históricos com as próprias fotos e tentam apresentar para a sala uma história engraçada. Nenhuma piada durante os 70 minutos de exibição funciona e o filme desperdiça as participações especiais de Rui Castro, Caetano Veloso e Jô Soares, como eles mesmos ( e já sacaneados na coluna de O Globo), que dão depoimentos sobre o falso repórter na tentativa documental frustrada. Pedro Bial (vergonha alheia do ano) como condutor do documentário e Marcelo Adnet e Hubert como Agamenon. Alguns filmes são apenas ruins (neste blog, Cilada.com, por exemplo). Outros, não valem a resenha.



Alguma semelhança com o fraquíssimo "Borat" e uma tentativa muito frustrada de fazer piadas com cunho sexual vulgar o tempo todo. A ridícula pretensão de testemunhar os fatos do último século à la "Forrest Gump". Se há alguma pergunta a ser feita sobre o filme, ela tem que ser esta: como Fernanda Montenegro aceitou narrá-lo? Em entrevista à Folha de S. Paulo, o diretor Victor Lopes disse que não queria "cair no alegórico para não ser trash demais". 





"Agamenon" está em cartaz em 250 salas pelo Brasil e custou R$ 6 milhões, cerca de R$ 4,5 milhões oriundos de leis de incentivo fiscal. É a aposta da Globo Filmes para fazer o brasileiro rir neste verão. 



segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O garoto da bicicleta (2011)

O garoto da bicicleta (Le gamin au vélo) 
Direção: Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne 
Elenco: Thomas Doret, Cécile de France, Jerémie Lenier
Escrito por: Jean Pierre Dardenne, Luc Dardenne 
França, 2011
Nota no IMdB: 7.6






Um ritmo de filmagem e diálogos mais ágeis que os esperados para um drama familiar francês. Assim se desenvolve "O garoto da bicicleta" (Le gamin au vélo) dos irmãos Luc e Jean-Pierre Dardenne, em cartaz em salas mais modestas. Sem melodramas e com ritmo suave, cativa por abordar o tema do abandono com sobriedade. 






Aos 12 anos, Cyril Catoul (Thomas Doret) foi deixado pelo pai em um internato e, aos poucos, se dá conta de que Guy Catoul (Jérémie Renier) não vai voltar para buscá-lo. Após tentativas de fuga para encontrar o pai, o garoto descobre que sua bicicleta fora vendida e que o endereço onde espera retomar a vida está vazio.






Numa situação fortuita, conhece Samantha (Cécile de France), cabeleireira , que encontra a bicicleta na vizinhança, consegue comprá-la e a devolve para Cyril. É o início de uma relação de (des) confiança e esperança entre os dois. 






Samantha tenta atrair a atenção do garoto, que alterna momentos de carinho e rebeldia, em reações involuntárias de demonstrar carência pela falta paterna. Quando fica mais claro ainda o desprezo de Guy, ela assume a responsabilidade de lidar com a imprudência juvenil e a construção da confiança.






O traficante do bairro parece atrair mais facilmente a atenção de Cyril, com a facilidade dos jogos eletrônicos e da adrenalina. Mas, ocupar o lugar da ausência do pai do garoto é tarefa mais complicada, que os irmãos Dardenne preferem abordar sem uma falsa facilidade. A camisa vermelha, frequentemente usada por Cyril, é uma metáfora para a falta de cuidado, ou ainda para uma personalidade que busca meios de construção. 






"O garoto da bicicleta" apresenta ao menos dois problemas. O carinho de Samantha por Cyril parece quase gratuito, mesmo com toda a rebeldia do garoto. E, principalmente: o pai, mesmo empregado, prefere largar o filho. Desconheço a lei francesa, mas deve haver alguma proteção para o menor em caso de abandono. Como foi apresentado, talvez tenha sido uma conexão rasteira no roteiro.  



segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Operação Presente (2011)

Operação Presente (Arthur Christmas)
Direção: Sarah Smith
Vozes: James McAvoy, Hugh Laurie, Bill Nighty, Jim Broadbent, Imelda Stauton
Escrito por: Sarah Smith, Peter Baynham
EUA, 2011
Nota no IMdB: 7.2



O filão de filmes natalinos - quase sempre voltados para questões comerciais e ausentes do significado cristão, razão da data - a cada ano se repete para alcançar o público infantil.

Mas, eis que a animação "Operação Presente", do estúdio inglês Aardman e da Sony em 2011 consegue agradar sem subestimar a inteligência infantil. O enredo tem recursos ao enfocar a família do Papai Noel e a dificuldade para entregar todos os presentes do mundo em uma noite de dezembro.




"Operação Presente", da diretora Sarah Smith, não trata sobre a recorrente dúvida da existência do velhinho; em tempos de internet, as crianças se preocupam mais em procurar sua casa no Google Earth e questionar a logística para que todos recebam seus pedidos na noite de natal. Apesar disso (ainda bem!), ainda escrevem cartas e não emails para o Pólo Norte. 





O clássico sistema de um senhor altruísta, guiado em um trenó por renas voadoras é substituído, com muita ironia, por um analista de riscos e eficiência, em trajes militares. O primogênito de Noel comanda a equipe de elfos especialistas responsáveis pela entrega dos presentes a partir de uma nave baseada no Pólo Norte. O novo Noel - sem barba, musculoso e com cabelos curtos - é filho e neto dos últimos Noeis da velha guarda da estirpe, num paradoxo sobre o choque de gerações.



Nem tudo está perdido: o caçula do Papai Noel, Arthur, garoto estabanado e pouco querido nesta lógica racional, é um dos poucos que ainda acredita no Natal como "magia" infantil e respeita a inocência dos pedidos contidos nas cartinhas. Arthur se aproveita de um presente esquecido - o software também erra - para resgatar a nostalgia do avô e enfrentar - com bom humor - as próprias inseguranças.


Com um brasileiro na equipe de animadores (Claudio Oliveira, que também trabalhou em "Watchmen" e "Tá chovendo hambúrguer), "Operação Presente" traz rigorosa qualidade de produção, efeitos relevantes na exibição em 3D e uma história leve, sem melodramas e com argumento sustentado em 1h37 de projeção.




quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Os 3 (2011)

Os 3
Direção: Nando Olival
Elenco: Juliana Schalch, Gabriel Godoy, Victor Mendes, Sofia Reis, Rafael Maia
Escrito por: Nando Olival, Thiago Dottori
Brasil, 2011
Nota no IMdB: 6.0 




As primeiras cenas de "Os 3" não ajudam muito. Três jovens, saídos de partes diferentes do país, se conhecem na primeira festa da faculdade, se tornam amigos inseparáveis no curso de jornalismo e no final você sabe que vão participar de um reality show sobre as próprias vidas, no próprio apartamento alugado. Ainda por cima, um pretende ser escritor e a garota tem vontade de ser atriz. Mais clichê, impossível.




Mas Nando Olival, publicitário que se arriscou nos cinemas há 10 anos com Walter Sales em "Domésticas - o filme", consegue construir uma história despretensiosa sobre alguma falta de perspectiva juvenil que acaba funcionando. Não se sabe como a amizade entre os três - Juliana Schalch, Gabriel Godoy e Victor Mendes nos papéis de Camila, Cazé e Rafael, respectivamente - de fato começou, mas as cenas no "apartamento" compartilhado dá boas ideias. A amizade se dilata em um triângulo amoroso que é apresentado sem pudores, mas sem chocar. 



Um trabalho no fim do curso motiva um produtor a propô-los filmar as próprias vidas em troca de anúncios publicitários "espontâneos". A ideia é espalhar produtos pela casa que, no teatrinho da vida real mostrado pela web, vão ser adquiridos pelos espectadores. Nesse momento a ingenuidade do filme se transforma na grande sacada do roteirista/diretor: o aspirante a escritor pode desenvolver tramas para fingir a própria vida, a aspirante a atriz pode fingir ser ela mesma como outra pessoa.



A partir daí, tudo que acontece pode ser um acontecimento espontâneo ou uma trama que pega algum deles próprios de surpresa. O impulso pelo desejo também é abordado, e nesse momento o filme deixa claro demais desde o princípio algumas aparentes contradições - quem assistir pode ter essa mesma noção.



Um filme brasileiro independente, em cartaz no circuito comercial em salas de shoppings, surpreende. "Os 3" não é um filme imperdível e podia ser melhor em diversos aspectos da trama. Mas convence e é bem trabalhado esteticamente com a direção de arte de Clô Azevedo.