segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Os Descendentes (2011)

Os Descendentes (The Descendants)
Direção: Alexander Payne 
Elenco: George Clooney, Shailene Woodley, Amara Miller, Nick Krause, Patricia Hastie, Beau Bridges
Escrito por: Alexander Payne, Nat Faxo e Jim Rash, baseado em livro de Kaui Hart Hemmings 
EUA, 2011
Nota no IMdB: 7,7



O Havaí, locação comum em filmes sobre esportes, comédias de férias ou documentários em paisagens paradisíacas, é quase um personagem de "Os Descendentes", um dos favoritos ao Oscar e vencedor do Globo de Ouro em duas categorias (melhor filme de drama e melhor ator - George Clooney). Apesar da participação de destaque, o estado americano serve de contraponto para a angústia que permeia a vida de um homem, que tenta diminuir a distância afetiva para as filhas quando a esposa entra em coma por causa de um acidente. 



Como defende o protagonista logo no início, as dores do povo havaiano não são menores que a dos outros humanos por morarem em recantos de natureza privilegiada. Eles compartilham as mesmas cotas de dúvida, defeitos e dor com os demais, assim como carregam cargas de esperança, sonhos e superação semelhantes. 



Matt King (Clooney) é um advogado pacato, contido, quase resignado e, tal qual o costume contemporâneo, pouca atenção havia dedicado à esposa e às filhas nos últimos anos. Em certa altura de "Os Descendentes", o milionário havaiano revela seguir uma frase ouvida tempos antes: "Dê todo o dinheiro aos filhos para fazerem o que quiserem, mas não para não fazer nada". Assim explica a contenção no trato de sua fortuna, apesar da vida confortável. 



Elizabeth (Hastie), mulher de King, está em coma após um acidente de barco. Ela tem o perfil construído por falas da família e amigos, e por eles conhecemos seu interesse por esportes e adrenalina, assim como podemos antecipar o que deve ter sentido em determinados momentos anteriores à trama e justificar suas atitudes. Mas apenas prevê-los, apesar da riqueza de detalhes disponíveis para construir sua participação na trama. Estratégia curiosa para uma personagem que, apesar dos julgamentos, não pode se defender. 



Alexandra (Woodley) filha mais velha do casal, é uma adolescente de 17 anos que conhece bem os limites a ponto de fazer questão de desafiá-los. A rebeldia em potencial se transforma em bom senso quando ela precisa ajudar King a cuidar da caçula Scottie (Miller). No percurso, tem a companhia do amigo Sid (Krause) um personagem deslocado no começo da trama, e que em seu desenvolvimento só faz reforçar a ideia de que as novas gerações não são muito habituadas a convenções sociais. A ironia é uma face da relação entre os jovens e a inclusão de King neste novo "meio", e, com as risadas provocadas na sala do cinema, parece que nem todos assistem ao mesmo filme. 



A melhor participação de Sid se dá quando Matt o pergunta se ele e Alexandra conversam sobre seus problemas. O garoto afirma que não, apesar da proximidade entre os jovens; apenas tentam se divertir juntos para esquecer-se das adversidades. Um método escapista discutível, mas revelador sobre o comportamento de uma geração.



Quando Matt King, apesar do conflito em casa, tem poderes para decidir uma operação empresarial entre primos - são herdeiros de uma grande área preservada na ilha - temos o vínculo do homem com a terra e a tradição familiar, apesar dos rumos dissidentes dentro no lar. Prova disso são as tomadas frequentes em retratos de sua genealogia e a lembrança de nomes e títulos de antigos parentes, num contraste bem armado com sua falta de prestígio na própria casa.



"Os Descendentes" não vai marcar época, não traz inovações de estilo nem conta uma história sensacional. Talvez nem mereça a indicação no Oscar em algumas das principais categorias - filme, diretor, ator (Clooney), roteiro adaptado e montagem. Mas é um filme sincero, com roteiro sem grandes atropelos e boa condução da direção de fotografia. E, ainda, atuações convincentes de Clooney e a estreante Shailene Woodley. 


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Histórias Cruzadas (2011)

Histórias Cruzadas (The Help)
Direção: Tate Taylor
Elenco: Emma Stone, Viola Davis, Octavia Spencer, Bryce Dallas Howard, Jessica Chastain, Mike Vogel
Escrito por: Tate Taylor, baseado em livro de Kathryn Stockett
EUA, 2011
Nota no IMdB: 8,0




O racismo incutido em uma sociedade em determinada época soa tão 'natural' para quem a vive quanto parece absurdo para os que observam em outro tempo. Por isso, tantos risos irônicos da plateia quando personagens de "Histórias Cruzadas" (The Help, 2011) defendem a separação de banheiros entre negros e brancos. O filme do diretor Tate Taylor vai levar muita gente ao cinema simplesmente por ter sido indicado quatro vezes ao Oscar - melhor filme, melhor atriz (Viola Davis) e melhor atriz coadjuvante (Jessica Chastain e Octavia Spencer). Spencer, inclusive, venceu o Globo de Ouro por sua atuação como atriz coadjuvante.






O diretor se baseia no livro "A Resposta", de Kathryn Stockett (amiga de Taylor) para apresentar uma nuance da segregação racial na América, amparada por leis e costumes que perduraram, oficialmente, até os anos 1970. Aqui, tem-se o ponto de vista das empregadas domésticas, acostumadas a criar e a educar crianças brancas que, quando crescidas, relegavam as amas ao seu papel servil em nome da manutenção de um 'status social'. 





A jornalista e aspirante a escritora Skeeter (Stone) decide dar voz aos abusos cometidos contra as trabalhadoras e recebe a ajuda clandestina de Aibileen (Davis) e Minny (Spencer). O papel de Hilly (Dallas), presidente da liga das mulheres de Jackson, Mississippi - um dos últimos estados do sul a retirar itens racistas de suas leis - apesar de bastante caricato, expõe o racismo 'naturalizado' - inclusive na menção do baile beneficente para crianças africanas. 




A narrativa é leve, apesar do tema -o que levou críticos de cinema a tratar "Histórias cruzadas" como leviano e superficial -, linear e bem pontuada. A ambientação e o ritmo - além da temática - lembram  o clássico "Conduzindo miss Daisy", de 1989. O uso de clichês em cenas-chave podia facilmente ter sido evitado, assim como a divisão entre patrões-vilões e empregados-espertos. Em sua defesa, Taylor tem a forma como a invisibilidade dos funcionários é apresentada, assim como a forte e convincente atuação de Viola Davis - merecedora, de fato, do Oscar. 





Algumas questões para o roteiro: Celia (Chastain) é a personagem dissonante, por ter se casado com Johnny (Vogel), que era 'destinado' às mulheres 'da sociedade'. Por quê seus hábitos não condizem com os das outras? Ela foi criada em outro meio? Algum sentimento em especial a move? Ou o que explicaria esta postura deslocada? Outra: Skeeter teria atitudes humanistas por ter estudado em outro estado? Ou porque é uma das únicas a trabalhar fora de casa? Por ser 'aceita' na liga das mulheres de Jackson, nunca havia questionado seus métodos? 






A equipe de tradução podia ter se empenhado para traduzir "the help" com mais qualidade. "A resposta" é tão ridículo que incomodou até os mais desavisados nas três ou quatro aparições da legenda durante a exibição. Apesar da grave falha, "Histórias cruzadas" é um título que diz mais sobre o filme que o próprio original. 



quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

2 Coelhos (2012)

2 Coelhos
Direção: Afonso Poyart
Elenco: Fernando Alves Pinto, Caco Ciocler, Marat Descartes, Alessandra Negrini, Thaíde, Roberto Marchese.
Escrito por: Izaías Almada, Afonso Poyart
Brasil, 2012
Nota no IMdB: 8.8





Afonso Poyart levou para "2 Coelhos", seu longa de estreia, referências que aprendeu a admirar em outros filmes e suportes e os traduziu em uma história de ação sobre corrupção e moral. Estética publicitária, falso documentário, gráficos de videogames, slow motions, inversão do narrador. Tudo isso e mais um pouco, sem um foco específico e muita distração para o olhar, e funciona. Sem beirar a superficialidade, o diretor atrai o público e justifica os cortes ágeis e diferentes tomadas com o nível de ação que propõe na tela.




Em um contexto no qual todos são corruptores e corrompíveis em potencial, questões de fundo ético perdem espaço para a lógica 'dos fins que justificam os meios' e a crítica ácida ao funcionamento do legislativo, judiciário e Ministério Público brasileiros funciona, assim como sua relação entre os setores da sociedade - no morro ou no asfalto.





Edgar (Fernando Alves Pinto) narra a primeira parte do filme, quando apresenta sua intimidade com a tecnologia e a falta de tino com as convenções sociais. Aos poucos, revela as relações entre o deputado Jader (Roberto Marchese), a promotora Julia (Alessandra Negrini) e Maicon (Marat Descartes). Thaíde é Velinha, um motoboy que vive de golpes e furtos e que ajuda Edgar em seu plano, digamos, de atingir dois coelhos com 'uma caixa d´água', como provoca o poster do longa. Walter (Caco Ciocler) é o professor universitário que trabalha no restaurante do pai de Edgar. Há ainda a facção responsável por um sequestro - o enredo funciona, apesar de algumas soluções simplórias.




A narrativa ganha corpo quando o presente alcança Edgar, que abandona a narração e passa a ser o foco dos conflitos. É quando o ritmo de '2 coelhos' se desenvolve da melhor maneira e as costuras do roteiro ganham mais sentido. Com destaque para as estratégias de Alessandra Negrini para espantar a ansiedade, como um parêntese bem posicionado em uma frase.




'2 Coelhos' leva estética exagerada e ritmo alucinante, mas não soa superficial nem alterna referências esvaziadas. O enredo confunde e deixa lacunas propositadamente, mas não é incompreensível. Afonso Poyart leva para a tela o que aprendeu a assistir e a admirar em outros cineastas e na televisão. Um gênero em certa medida inovador para o cinema nacional, que se fortalece ao adquirir experiências visuais diversas em circuito comercial. 


Oscar 2012: indicados

Filme
O Artista - Thomas Langmann
Os Descendentes - Jim Burke, Alexander Payne e Jim Taylor
Tão Forte e Tão Perto - Scott Rudin
Histórias Cruzadas - Brunson Green, Chris Columbus e Michael Barnathan
A Invenção de Hugo Cabret - Graham King e Martin Scorsese
Meia-Noite em Paris - Letty Aronson e Stephen Tenenbaum
O Homem que Mudou o Jogo - Michael De Luca, Rachael Horovitz e Brad Pitt
A Árvore da Vida 
Cavalo de Guerra - Steven Spielberg e Kathleen Kennedy

Diretor

Ator
Demián Bichir por A Better Life
Gary Oldman por O Espião que Sabia Demais
George Clooney por Os Descendentes
Jean Dujardin por O Artista
Brad Pitt por O Homem que Mudou o Jogo

Atriz
Viola Davis por Histórias Cruzadas
Glenn Close por Albert Nobbs
Rooney Mara por Millenium - Os Homens que não Amavam as Mulheres
Meryl Streep por A Dama de Ferro
Michelle Williams por Sete Dias com Marilyn 

Ator Coadjuvante
Max Von Sydow por Tão Forte e Tão Perto
Christopher Plummer por Beginners
Kenneth Branagh por Sete Dias com Marilyn
Nick Nolte por Guerreiro
Jonah Hill por O Homem que Mudou o Jogo

Atriz Coadjuvante
Berenice Bejo por O Artista
Jessica Chastain por Histórias Cruzadas
Melissa McCarthy por Missão Madrinha de Casamento
Janet McTeer por Albert Nobbs
Octavia Spencer por Histórias Cruzadas

Roteiro Adaptado
Os Descendentes - Alexander Payne and Nat Faxon & Jim Rash
A Invenção de Hugo Cabret - John Logan
Tudo Pelo Poder - George Clooney & Grant Heslov e Beau Willimon
O Homem que Mudou o Jogo - Steven Zaillian e Aaron Sorkin, história de Stan Chervin
O Espião que Sabia Demais - BridgetO'Connor & Peter Straughan

Roteiro Original
O Artista - Michel Hazanavicius
Missão Madrinha de Casamento - Annie Mumolo & Kristen Wiig
Margin Call: O Dia Antes do Fim - J.C. Chandor
Meia-Noite em Paris - WoodyAllen
A Separação - Asghar Farhadi

Animação
Um Gato em Paris - Alain Gagnol e Jean-Loup Felicioli
Chico & Rita - Fernando Trueba e Javier Mariscal
Kung Fu Panda 2 - Jennifer Yuh Nelson
Gato de Botas - Chris Miller
Rango - Gore Verbinski

Filme Estrangeiro
Bullhead (Bélgica) - Michael R. Roskam
Monsieur Lazhar (Canadá) - Philippe Falardeau
A Separação (Irã) - Asghar Farhadi
Footnote (Israel) - Joseph Cedar
In Darkness (Polônia) - Agnieszka Holland

Fotografia
O Artista - Guillaume Schiffman
Millenium - Os Homens que não Amavam as Mulheres - Jeff Cronenweth
A Invenção de Hugo Cabret - Robert Richardson
A Árvore da Vida - Emmanuel Lubezki
Cavalo de Guerra - Janusz Kaminski

Direção de Arte
O Artista - Laurence Bennett (Design de Produção) e Robert Gould (Decoração de Set)
Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 - Stuart Craig (Design de Produção) e Stephenie McMillan (Decoração de Set)
A Invenção de Hugo Cabret - Dante Ferretti (Design de Produção) e Francesca Lo Schiavo (Decoração de Set)
Cavalo de Guerra - Rick Carter (Design de Produção) e Lee Sandales (Decoração de Set)
Meia Noite em Paris -Anne Seibel (Design de Produção) e Hélène Dubreuil (Decoração de Set)

Figurino
Anônimo - Lisy Christl
O Artista - Mark Bridges
A Invenção de Hugo Cabret - Sandy Powell
Jane Eyre - Michael O'Connor
W.E. - Arianne Phillips

Documentário
Hell and Back Again - Danfung Dennis e Mike Lerner
If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front - Marshall Curry e Sam Cullman
Paradise Lost 3: Purgatory - Joe Berlinger e Bruce Sinofsky
Pina - Wim Wenders e Gian-Piero Ringel
Undefeated - TJ Martin, Dan Lindsay e Richard Middlemas

Curta Documentário
The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement - Robin Fryday e Gail Dolgin
God is the Bigger Elvis - Rebecca Cammisa e Julie Anderson
Incident in New Baghdad - James Spione
Saving Face - Daniel Junge e Sharmeen Obaid-Chinoy
The Tsunami and the Cherry Blossom - Lucy Walker e Kira Carstensen

Montagem
O Artista - Anne-Sophie Bion e Michel Hazanavicius
Os Descendentes - Kevin Tent
Millenium - Os Homens que não Amavam as Mulheres - Kirk Baxter and Angus Wall
A Invenção de Hugo Cabret - Thelma Schoonmaker
O Homem que Mudou o Jogo - Christopher Tellefsen

Maquiagem
Albert Nobbs - Martial Corneville, Lynn Johnston e Matthew W. Mungle
Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 - Nick Dudman, Amanda Knight e Lisa Tomblin
A Dama de Ferro - Mark Coulier e J. Roy Helland

Música - Trilha Sonora Original
As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne - John Williams
O Artista - Ludovic Bource
A Invenção de Hugo Cabret - Howard Shore
O Espião que Sabia Demais - Alberto Iglesias
Cavalo de Guerra - John Williams

Música - Canção Original

Curta metragem de Animação
Dimanche/Sunday - Patrick Doyon
The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore - William Joyce e Brandon Oldenburg
La Luna - Enrico Casarosa
A Morning Stroll - Grant Orchard e Sue Goffe
Wild Life - Amanda Forbis e Wendy Tilby

Curta metragem
Pentecost - Peter McDonald e Eimear O'Kane
Raju - Max Zähle e Stefan Gieren
The Shore - Terry George e Oorlagh George
Time Freak - Andrew Bowler e Gigi Causey
Tuba Atlantic - Hallvar Witzø

Montagem de Som
Drive - Lon Bender e Victor Ray Ennis
Millenium - Os Homens que não Amavam as Mulheres - Ren Klyce
A Invenção de Hugo Cabret - Philip Stockton e Eugene Gearty
Transformers: O Lado Oculto da Lua - Ethan Van der Ryn e Erik Aadahl
Cavalo de Guerra - Richard Hymns e Gary Rydstrom

Mixagem de Som
Millenium - Os Homens que não Amavam as Mulheres - David Parker, Michael Semanick, Ren Klyce e Bo Persson
A Invenção de Hugo Cabret - Tom Fleischman e John Midgley
O Homem que Mudou o Jogo - Deb Adair, Ron Bochar, Dave Giammarco e Ed Novick
Transformers: O Lado Oculto da Lua - Greg P. Russell, Gary Summers, Jeffrey J. Haboush e Peter J. Devlin
Cavalo de Guerra - Gary Rydstrom, Andy Nelson, Tom Johnson e Stuart Wilson

Efeitos Visuais
Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 - Tim Burke, David Vickery, Greg Butler e John Richardson
A Invenção de Hugo Cabret - Rob Legato, Joss Williams, Ben Grossman e Alex Henning
Gigantes de Aço - Erik Nash, John Rosengrant, Dan Taylor e Swen Gillberg
Planeta dos Macacos: A Origem - Joe Letteri, Dan Lemmon, R. Christopher White e Daniel Barrett
Transformers: O Lado Oculto da Lua - Dan Glass, Brad Friedman, Douglas Trumbull e Michael Fink

Globo de Ouro 2012: vencedores

"O artista", com três prêmios (melhor comédia, melhor ator de comédia - Juan Dujardin - e trilha sonora) e "Os descendentes" (melhor drama e melhor ator de drama - George Clooney) foram os destaques do Globo de Ouro 2012 e largam como favoritos ao Oscar.





Lista completa dos premiados nas categorias de cinema ( O Globo de Ouro também contempla os melhores da televisão)


Melhor Filme - Drama
"Os Descendentes"


Melhor Filme - Comédia ou musical
"The Artist"


Melhor Filme - Animação
"As aventuras de Tintim"


Melhor Fime em língua estrangeira
"Separação" - Irã


Melhor Diretor
Martin Scorsese, por "A invenção de Hugo Cabret"


Melhor Roteiro
Woody Allen, por "Meia noite em Paris"


Melhor Ator - drama
George Clooney, por "Os descendentes"


Melhor Atriz
Merryl Streep, por "A dama de ferro"


Melhor Ator - Comédia ou musical
Jean Dujardin, por "O Artista"


Melhor atriz - Comédia ou musical
Michelle Williams, por "Sete dias com Marilyn"


Melhor Ator Coadjuvante
Christopher Plummer, por "Toda forma de amor"


Melhor Atriz Coadjuvante
"Octavia Spencer, por "Histórias cruzadas"


Melhor trilha sonora original
Ludovic Bource, por "O artista"


Melhor canção original
"Masterpiece de W.E.", de Madonna, Julie Frost e Jimmy Harry



quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O espião que sabia demais (2011)

O espião que sabia demais (Tinker Taylor Soldier Spy)
Direção: Thomas Alfredson
Elenco: Gary Oldman, Colin Firth, John Hurt, Tom Hardy, Mark Strong, Jim Prideaux
Escrito por: Bridget O´Connor e Peter Straughan
Inglaterra, 2011
Nota no IMdB: 7,5






A espionagem inglesa durante a Guerra Fria é o norte de "O espião que sabia demais", filme baseado no romance de John le Carré (Jardineiro Fiel, o livro, também foi escrito por ele). O agente Strong (Jim Prideaux) é enviado à Hungria para encontrar um informante, não completa a missão e, como consequência, os chefes do MI6 Smiley (Oldman) e Control (Hurt)  são aposentados pelo serviço secreto. Uma trama de intrigas envolve a cúpula da organização, e Smiley deixa a aposentadoria para investigar as traições que comprometem o funcionamento da rede. 




A sinopse, entretanto, não é facilmente percebida na tela, uma vez que as escolhas de Alfredson evitam clichês associados a filmes de espionagem. Com um ambiente por vezes noir e roteiro fragmentado, "O espião que sabia demais" deixa a impressão de que poderia ter sido melhor compreendido. Ou explicado. 




Planos longos e sem diálogos podem ser a deixa para o espectador refletir sobre o que se passa na tela. E também conectar os fatos, já que "O espião que sabia demais" abusa de uma narrativa sem conectivos. Por vários minutos, parece um filme montado com cortes do passado sobrepostos. Mas a narrativa linear é fragmentada e dá a oportunidade para elencar os fatos. A costura dos fragmentos, no entanto, é confusa, dando a impressão de que a história é ininteligível. 




Neste triller sobre espionagem, as cenas de ação e os efeitos especiais não têm vez. A agilidade dos cortes também não, o que pode confundir e desagradar quem espere altas voltagens em cena. O paradoxo é que o ritmo de "O espião que sabia demais" se assemelha ao de uma apuração longa, sem os cortes para as cenas mais chocantes ou de ação. Tudo é exibido ao seu tempo, como na espera demorada para se agir no momento exato.



Os personagens transpiram cansaço e resignação, efeitos de uma vida treinada para o serviço secreto e para o sigilo absoluto. Por isso, nada falam além do necessário. Boa parte adentra a velhice, e o comportamento refratário (não existe a vida privada destas pessoas) conota algo além da repetição de antigos costumes. 




Uma segunda exibição ou a leitura de diferentes pontos de vista sobre o filme fatalmente ajudam a compreendê-lo melhor. Após a primeira sessão, sem saber ao certo do que se trata, quem assiste pode confundir a sequência e a lógica deste thriler, que é exibido em circuito comercial e toma algumas salas de shoppings. Um claro exemplo de cinema que não combina com pipoca - se bem que, em minha modesta opinião, nenhum cinema combina, mas isso é conversa para outra hora. 




Não existe alta ou baixa cultura, nem simplesmente a negação da 'grande arte' pelo 'entretenimento industrial'. As redes de significados carregam diferentes conceitos e interpretações, e o pré-conceito prejudica tanto quem se julga por cima quanto quem é atribuído como inferior. Por isso, não excluo o potencial criativo de uma obra considerada 'menor', assim como procuro não superestimar um trabalho pela dificuldade de seu seu entendimento. 



domingo, 8 de janeiro de 2012

As aventuras de Agamenon, o repórter (2011)

As aventuras de Agamenon, o repórter
Direção: Victor Lopes
Elenco: Hubert, Luana Piovanni, Marcelo Adnet, Pedro Bial, Rui Castro
Escrito por: Hubert, Marcelo Madureira
Brasil, 2011
Nota no IMdB: (não cadastrado)



Você já saiu do cinema com a impressão de que acabou de assistir a um dos piores filmes da vida? Este é "As aventuras de Agamenon, o repórter", nova 'comédia' da Globo Filmes que se apresenta como um documentário sobre o jornalista fictício Agamenon Pereira Mendes. Criação de Hubert e Marcelo Madureira, do Casseta e Planeta, Agamenon realmente assinou uma coluna no jornal O Globo por mais de 20 anos. 



O filme chega a parecer trabalho de artes de escola primária. Os alunos fazem colagens de personagens históricos com as próprias fotos e tentam apresentar para a sala uma história engraçada. Nenhuma piada durante os 70 minutos de exibição funciona e o filme desperdiça as participações especiais de Rui Castro, Caetano Veloso e Jô Soares, como eles mesmos ( e já sacaneados na coluna de O Globo), que dão depoimentos sobre o falso repórter na tentativa documental frustrada. Pedro Bial (vergonha alheia do ano) como condutor do documentário e Marcelo Adnet e Hubert como Agamenon. Alguns filmes são apenas ruins (neste blog, Cilada.com, por exemplo). Outros, não valem a resenha.



Alguma semelhança com o fraquíssimo "Borat" e uma tentativa muito frustrada de fazer piadas com cunho sexual vulgar o tempo todo. A ridícula pretensão de testemunhar os fatos do último século à la "Forrest Gump". Se há alguma pergunta a ser feita sobre o filme, ela tem que ser esta: como Fernanda Montenegro aceitou narrá-lo? Em entrevista à Folha de S. Paulo, o diretor Victor Lopes disse que não queria "cair no alegórico para não ser trash demais". 





"Agamenon" está em cartaz em 250 salas pelo Brasil e custou R$ 6 milhões, cerca de R$ 4,5 milhões oriundos de leis de incentivo fiscal. É a aposta da Globo Filmes para fazer o brasileiro rir neste verão.